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Feb
14

Porque vale a pena sair à rua | Porque é preciso mudar | O quê e para quê - Luís Henriques

Author // AdministratorPosted in // 15O / Depoimentos

Porque vale a pena sair à rua | Porque é preciso mudar | 
O quê e para quê

Luís Henriques, ilustrador

«Há que resgatar «a rua» ao discurso depreciativo da tecnocracia e inverter os argumentos "não vale a pena", ou "é pior".
A rua não é dos ignorantes e dos violentos. Na rua, uma multidão apartidária e pacifica, pela democracia, contrabalança o gesto demasiadas vezes resignado do cliente/votante do regime rotativista governamental.
É preciso alterar o padrão do consumo e desperdício dos países mais industrializados porque a escalada produtivista, a escalada especulativa e a escalada populacional vão gerar furacões naturais e políticos cada vez maiores. 
É preciso mudar a ideia feita do estado de emergência necessário, que confisca direitos e desculpa violências cada vez mais graves.

É preciso promover e inventar novas formas de economia e de trabalho, menos dependentes de relações laborais assalariadas, desiguais e precárias, da volatilidade dos mercados e da atomização de funções.
É preciso reforçar economias regionais sustentadas, com circuitos de produção, distribuição e consumo menos dependentes do petróleo e das produções sintéticas não recicláveis.
É preciso acelerar seriamente novas formas de produção energética limpa para evitar o colapso que se adivinha.
É preciso redistribuir a população pelo território, com uma política que dê verdadeiras condições às pessoas para viverem em comunidades de pequena e média escala, com infraestruturas tendencialmente auto-sustentadas, resgatando os centros das cidades e os campos à desertificação e ao apetite hegemónico dos consórcios multinacionais.
É preciso inventar e promover seriamente formas de viver que melhorem a relação entre o dispêndio de energia, a poluição e os benefícios efectivos do consumo.
É preciso disseminar os exemplos recentes de comunidades que conseguem viver com elevados padrões de nível de vida, de forma tendencialmente auto-sustentada e não poluente.
É preciso continuar a defender o uso livre dos meios de informação.
É preciso que os meios cibernáuticos permaneçam no domínio comum e não se transformem totalmente num veículo publicitário e propagandistico acéfalo.
É preciso promover novas formas de associativismo. 
Se não tentarmos mudar, mudaremos na mesma, para pior.»